História

FREGUESIA DE RIBEIRA QUENTE

Um Pouco de História

 

RIBEIRA QUENTE é uma freguesia portuguesa do concelho da Povoação, com 9,88 km² de área, 798 habitantes ( 2001) e densidade de 80,8 hab/km². Localiza-se a uma latitude 37.7733 (37°44') Norte e a uma longitude 25.3 (25°18') Oeste, encontrando-se quase ao nível do mar. Tem como fronteiras, a norte a herdade de José do Canto, as terras da misericórdia de Furnas e Pico dos Bodes. A sul o mar, a nascente a Ribeira do Agrião e a poente a Grota do Tufo. No seu aspecto fisico, dois grupos habitacionais são bem visíveis: o lugar da Ribeira e o do Fogo. Quanto ao primeiro, e como o próprio nome indica, situa-se na convergência da Ribeira dos Tambores com o mar. Este local caracteriza-se pela existência do porto de pesca e seus complexos adjacentes. Quanto ao local do Fogo, situa-se nos arredores da actual igreja paroquial de São Paulo, edificada de 1911 a 1917. Existe aí uma pequena baia na qual se situa um pequeno areal: a Praia do Fogo. A existência de nascentes hidrotermais submarinas tornam a água do mar tépida.

UM POUCO DE HISTÓRIA

O povoamento da Ribeira Quente deu-se alguns anos após o povoamento de Furnas, quando os primeiros habitantes da Ilha, radicados na Povoação Velha avistaram no ar uma enorme língua de fogo.Ao lugar da Ribeira Quente aderiram os conquistadores pelo mar para a penosa fauna da pesca e também podadores de vinha.
O enquadramento paisagístico da Freguesia foi sendo alterado com o decorrer dos séculos. Em 1588 um grande desmoronamento de terras num monte circundante ao Vale das Furnas, provocado por intensas chuvadas, veio acrescentar muita terra à Ribeira Quente. Outro acontecimento de grande relevância para a formação da Freguesia foi a erupção vulcânica de 2 de Setembro de 1630, em Furnas, que trouxe consigo enormes quantidades de terra e pedra que vieram ganhar terreno ao mar fazendo com que se pudesse passear a pé em locais onde outrora passavam barcos e navios à vela.

São rasgadas as primeiras estradas e, por terra, a viagem começa a ser feita de burro. Uma das primeiras estradas a ser executada é a hoje denominada de “Caminho do Pico”.

Uma das grandes obras de engenharia terão sido os dois Túneis, sendo o primeiro inaugurado em 1936 e o segundo quatro anos depois.

O Forte de São Paulo foi um importante ponto de defesa da pirataria que assolava os mares dos Açores. A sua localização era a oeste do areal da Ribeira Quente, que, sendo um ponto de fácil desembarque, era também cerrado de altas rochas donde podia ser facilmente batido por fogos de arcabuz. Em 1817 este forte encontrava-se em ruínas e desartilhado.

Como grandes factores de desenvolvimento Económico/Social da Freguesia temos os melhoramentos da estrada entre Ribeira Quente e Furnas e os sucessivos empreendimentos de melhoramento no porto de pesca. No entanto, a elevação da Ribeira Quente a Freguesia, a 24 de Junho de 1943, com uma população na altura de 1800 habitantes, foi um passo decisivo para este desenvolvimento.

 

HISTÓRIA DA FREGUESIA POR DATAS

1630 Erupção Vulcânica no lugar hoje conhecido como o Vale das Furnas. Após este cataclismo veio a formar-se no local da Ribeira Quente uma comunidade sedentária.

1765 - Foi erguida a primeira ermida de São Paulo por gente de Vila Franca, Concelho ao qual pertencia o lugar de Ribeira Quente na altura.
1796/98 – É edificada a segunda ermida de São Paulo visto que a primeira se tornara insuficiente e ia-se arruinando cada vez mais devido à sua proximidade do mar.

1839 – A Ribeira Quente é tornada parte integrante do Concelho da Povoação que faz um caminho rudimentar – O Caminho do Redondo, que foi o primeiro feito propositadamente para servir o povo de Ribeira Quente.

1901 – Visita do Rei D. Carlos à Ilha e ao Concelho de Povoação onde assentou simbolicamente a pedra de abertura da estrada de acesso à Ribeira Quente com a estrada regional, mas só 37 anos depois é que este sonho se tornou realidade.

1917 – A 22 de Setembro inauguração da actual Igreja de São Paulo.

1935 – Inicio da perfuração daqueles que ficaram conhecidos pelos “Túneis da Liberdade” porque ligaram a Ribeira Quente ao resto do mundo.

1940 – Inauguração dos túneis, pondo termo a um isolamento de cerca de 260 anos do povo da Ribeira Quente.

1943 – 24 de Junho – Elevação do lugar Ribeira Quente a Freguesia, com 1800 habitantes. Neste processo teve um papel fulcral o Padre José Jacinto da Costa, mais conhecido por Padre José Mansinho, então pároco da Ribeira Quente.

1944 – Foram eleitos para presidir à primeira Junta de Freguesia Luís Linhares de Deus (Presidente), João Jacinto Rita (Tesoureiro) e João Vieira Jerónimo (Secretário). O primeiro Regedor (autoridade policial) foi Francisco Pacheco de Medeiros.

1952 – A 26 de Junho esta Freguesia é de novo atingida por uma forte catástrofe sísmica que destruiu parcialmente a quase totalidade das habitações existentes.

1956 – O povo inteiro da Ribeira Quente vem à praia despedir-se do seu padroeiro São Paulo que escoltado por 27 barcos faz a travessia num deles entre a Ribeira Quente e a Vila da Povoação para participar nas comemorações do Centenário da Igreja Matriz.

1965 – Neste ano atingiu-se o ponto culminante da história populacional da Ribeira Quente, 2421 habitantes. Cinco anos depois, devido ao fluxo migratório, a população passou a 1861 habitantes e em 1991 a apenas 998 pessoas.

1976/77 – Construção do primeiro Porto de Pescas na Freguesia, visto que a maior parte da população vivia da pesca.

1997 – Na madrugada de 31 de Outubro deu-se o acontecimento mais trágico da história desta Freguesia. Um volumoso desabamento de terra, ma sequência de fortes chuvadas, no local da Canada da Igreja, vitimou 29 pessoas.

1998/2003 – Construção e inauguração da Avenida Marginal e do novo Porto de Abrigo.